Décima Quarta Aula
Belém, 29 de Outubro de 2009
Chegamos e começamos no horário certo.
Hoje iremos dar continuidade ao trabalho da percepção, fizemos os aquecimentos e alongamentos devidos e partimos para a prática.
Primeiro fizemos um exercício que consistia em; o professor apanhou um pedaço médio de galho e como se aquilo fosse uma espada tínhamos que nos desviar, sem desespero, sem preocupação, tínhamos que sair da direção em que estava vindo a “espada” com perfeita harmonia, é claro que quem estivesse com a “espada” não poderia seguir quem estava se desviando, a pessoa tinha que terminar o movimento para poder começar outro. Quando chegou a minha vez de esquivar, senti tudo aquilo que o professor pediu para não sentirmos, foi quando compreendi que o que ele tinha pedido não era que não sentíssemos, mas sim, que nós não deixássemos que estes sentimentos tomassem conta dos nossos movimentos, no caso ações e reações. O que ele dizia era “tomem o controle da situação, respirem constantemente, desviem-se em harmonia”, foi então que comecei a tentar a executar o que ele estava pedindo.
É muito difícil tentar controlar a ansiedade, quando têm algo que esta vindo em sua direção. Em momentos eu conseguia harmoniosamente me desviar, em outros eu travava sem saber o que fazer, eu tentava raciocinar qual movimento executar para sair da direção do galho, enquanto era apenas para eu sair da direção do galho. Esta foi a grande sacada deste exercício, já que você já tem um certo domínio da técnica, o que me impedia de me desviar? Na verdade era o próprio pensamento de ter que me desviar, logo, isso gerava uma ansiedade e junto disso vinha a preocupação. Quando o que tinha que fazer era apenas tentar seguir o fluxo dos movimentos, as esquivas iriam surgir por elas mesma, com a própria necessidade de esquivar-se, não com um pensamento de que eu teria que seguir a forma que foi treinada e ter que pensar em como me desviar a “espada” conforme a forma de t’ai chi mais adequada que eu apreendi.
O professor dizia “não se prenda á técnica, a técnica é só a técnica, a forma é só a forma, o verdadeiro sentido do t’ai chi está na harmonia, então tentem manter a harmonia, usado a respiração, foco, atenção e equilíbrio...”
No segundo passo fizemos um circulo no chão e de dois em dois, entravamos dentro do circulo para um tentar tirar o outro de dentro, para isso usando a técnica aprendida. O uso da base e percepção no outro são dois pontos importantíssimos neste exercício, levando em consideração que com uma boa base você dificilmente será desestabilizado pelo oponente, se você leva um tempo para achar a sua própria base, o segundo, a percepção no outro, é por motivos de que você tem que sentir o movimento do oponente para desestabilizá-lo, partindo do principio de que se o oponente avançar o praticante de t’ai chi recua e se o oponente recua o praticante avança, se o oponente vem rígido o praticante torna-se flexível e se o oponente vem flexível o praticante torna-se rígido, estes conceito foram retirados do livro “O Livro Completo do Tai Chi Chuan”, 3º edição, editora Pensamento do ano de 2006, tem como autor Wong Kiew Kit.
Finalizamos a aula com cada um executando o “exercício das oito formas” e o “exercício das vinte e quatro formas”, de olhos fechados é claro. Desta vez, não senti tanto quando da aula passada, do dia 27, onde pude ter melhor consciência dos meus movimentos.
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